Os anos passam e a tecnologia avança pelos campos mais insólitos de nossas vidas, muitas vezes causando surpresa a nós mais velhos.
Se pudéssemos de uma forma qualquer trazer de volta por alguns instantes os grandes inventores do século passado e mesmo os que nos deixaram a algumas décadas como Landel e Marconi, com certeza esses homens teriam um misto de surpresa e por que não dizer de grande satisfação ao se deparar com suas teorias e experimentos sendo aplicados normalmente e desapercebidamente em nosso dia a dia.
Dia desses, meu amigo e companheiro de trabalho J. C. Manzoli apareceu no serviço com uma bobininha e um capacitor de 39 pF e me perguntou o que seria aquilo.
Como o velhinho e eu trabalhamos juntos, e conhecedor de suas habilidades com a eletrônica, fiquei meio desconfiado, mas devido à sua seriedade, dei minha bicuda.
- Manza, isso é um circuito sintonizado, ao que ele me retrucou
- Isto estava dentro de uma placa de plástico que a vendedora esqueceu de tirar de um casaco que comprei em uma loja de departamento de um grande Shoping em Sorocaba. Ao chegar em casa a coisa não saia nem com reza brava e a único solução encontrada foi o velho martelo, e aí apareceu isso.
A muito tempo, a curiosidade me incomodava e ficava pensando como seria o circuito de detecção das grandes lojas de departamento que usam uma plaqueta para evitar roubos e eis que meu amigo me aparece com a referida bobina para elucidar a charada. Essas plaquetas de acrílico, usam um circuito passivo pois não comportam a possibilidade de se colocar baterias.
Como este boletim chega a milhares de pessoas que não conhecem bem os detalhes da eletrônica voltada às telecomunicações, deixo aqui minha sugestão ( não conheço em detalhes o circuito ) do que seria o sistema de segurança nas grandes lojas de departamento no Brasil e no mundo.
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Como pode ser visto na foto ao lado, a bobina que meu amigo encontrou dentro da placa nada mais é que um circuito sintonizado, fazendo parte de um sistema de transmissão e recepção. A bobina em questão está sintonizada em uma determinada freqüência que, ao ser aproximada de um campo eletromagnético gerado nas proximidades, ( normalmente em baixo do balcão de saída da loja ) entra em ressonância, comportando-se como um elo fechado de absorção, causando um desequilíbrio entre o transmissor e o receptor. Em palavras fáceis de se entender, a bobina dentro da plaqueta é como se algo tivesse sugando o sinal que teria que chegar ao receptor e agora é drenado e dissipado na bobina.
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Para os mais experientes ( para não dizer mais idosos ) que acompanham o Antique Radio News, muitos se lembrarão dos processos rudimentares de medição de freqüência ( na época não existiam os freqüencímetros digitais ) em tanque final dos transmissores de Broadcasting ou nos "Deltinhas" de nossos Radioamadores, usando as bobinas de absorção da TRIPLET Americana ou os GRID DIP Meter para sintonizar antenas e bobinas.
O sistema é montado de tal forma que o receptor emite um alarme caso o nível de sinal que está sendo captado seja menor que o previamente ajustado quando a bobina que está colocada na mercadoria à venda se aproxima da central transceptora.
A coisa funciona muito bem pois a maioria das lojas de departamento faz uso desse sistema para barrar os cleptomaníacos.
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