PUBLICAÇÕES RECENTES: RESUMOS (1991 - 2004)

 A FLEXÃO NOMINAL EM MATTOSO CÂMARA E OUTRAS ANÁLISES. D.E.L.T.A.  Vol. 20/Especvial, 2004. p. 85- 104. Analisamos a abordagem de Joaquim Mattoso Câmara Jr. para a flexão nominal em português, destacando inicialmente os aspectos em que sua análise difere da descrição tradicional. Consideramos, a seguir, outras abordagens dos conceitos envolvidos por parte de renomados lingüistas do Brasil e do exterior. Por fim, aceitando análises alternativas, demonstramos a possibilidade de redução das variações usualmente tratadas como flexão do substantivo a apenas dois morfemas derivacionais. / Palavras-chave: morfologia; flexão nominal; gênero; número
A HISTÓRIA ESCRITA DO GEL: 1969–2000. Fundados no mesmo ano (1969), o GEL e a ABRALIN são as mais antigas associações especificamente dedicadas à lingüística no Brasil. Nos 32 anos decorridos desde a fundação do GEL foram publicados, entre 1978 e 2000, 29 volumes de Estudos Lingüísticos, que por algum tempo traziam o subtítulo Anais de Seminários do GEL. Não se trata, contudo, da totalidade dos trabalhos apresentados nos 48 seminários realizados nesse período, pois nem todos os trabalhos apresentados foram submetidos para publicação e, mais recentemente, os textos entregues passaram a ser submetidos ao crivo de uma comissão editorial. O conjunto de textos publicados, contudo, constitui uma amostra significativa e representativa da produção acadêmica apresentada em tais eventos, um valioso conjunto de dados referentes a participação institucional, mobilidade acadêmica, linhas e tendências de pesquisa, modelos teóricos, fontes bibliográficas e muitas outras informações, quer explícitas, quer dedutíveis mediante leitura e análise atentas. Apresentamos alguns dos resultados obtidos a partir da análise desse extenso conjunto de textos, resultados que nos parecem de especial interesse para, complementando outros textos jás publicados que tratam da história do GEL, permitir-nos melhor compreensão não apenas do desenvolvimento do grupo no período considerado, mas também da importância das atividades do GEL para o estudo da historiografia dos estudos lingüísticos no Brasil.
DADOS EXPLÍCITOS E IMPLÍCITOS EM PESQUISA DOCUMENTAL.   II Congresso Nacional da ABRALIN. Florianóplis: ABRALIN, 2000 (CD-ROM). p. 221 - 225.  A historiografia de qualquer ramo do conhecimento é primordialmente baseada em pesquisa documental, eventualmente complementada por entrevistas, depoimentos, fotos, etc. Mas, para além do óbvio aproveitamento dos dados explícitos do que constitui o conteúdo dos documentos analisados, a partir deles pode-se chegar a valiosas informações adicionais. Nesses moldes, um trabalho interessante e, cremos, pioneiro, é BISOL (1986), que analisa 237 teses de mestrado e 15 dissertações de doutorado constantes dos cinco volumes do Banco de Teses publicados pela CAPES entre os anos de 1976–1979 e 1982, visando definir "a direção que vêm tomando os estudos de língua portuguesa em nível de pós-graduação" (p. 2035) e pondo em evidência áreas e teorias lingüísticas predominantes. Verifica que os cursos de pós-graduação têm não apenas "produzido conhecimento sobre língua portuguesa" mas também "têm servido como fornecedores de dados empíricos a teorias elaboradas" (p. 2045) e que as dissertações analisadas "significam um avanço em direção à descrição do português" (p. 2046). A classificação de tais documentos em oito áreas ordenadas em função do número de trabalhos que compreendem parece à autora "refletir preocupações fundamentais em torno da teoria lingüística, da descrição do português e do ensino." (p. 2046) Num trabalho recentemente publicado, de maior abrangência e extensão, ALTMAN (1998) apresenta uma análise minuciosa de grande variedade de documentos, visando estabelecer a historiografia da produção lingüística brasileira no período de 1968 a 1988, sem perder contudo de vista o fato de que o período selecionado "representa não o início, mas o resultado de um longo e descontínuo processo de cientifização e institucionalização dos estudos lingüísticos no Brasil, que o antecede e contextualiza." (p. 23). Nesta comunicação pretendemos exemplificar alguns dos recursos adicionais que o procedimento de pesquisa documental nos pode proporcionar, tomando por base um corpus preliminar constituído por coleções completas de algumas das principais publicações periódicas de Lingüística no Brasil, e da análise desse corpus procurando obter dados relevantes com respeito a tendências teóricas, influências, instituições e programas, bem como eventualmente perfis mais particulares, em especial no tocante a fundamentação teórica, fontes de referência bibliográfica, áreas e sub-áreas de atuação. Se satisfeitas tais expectativas, ter-se-ia aí mais um caminho a trilhar na busca de um perfil do desenvolvimento dos estudos lingúcísticos entre nós. REF. BIB. : ALTMAN, [Maria] Cristina. A pesquisa lingüística no Brasil (1969-1988)  São Paulo: Humanitas / FFLCH/USP, 1998;  BISOL, Leda. A lingüística contemporânea e o conhecimento da língua portuguesa. Ciência e Cultura 38 (12), 1986. p. 2035-2047
A TRANSCRIÇÃO DO DISCURSO ORAL. In MOURA, Denilda. (org.) Os múltiplos usos da língua. Maceió: EDUFAL, 1999. p. 389-392
A transcrição de dados de língua falada é usualmente associada ao processo de representação gráfica de seqüências de elementos fônicos, vocábulos ou enunciados, utilizando-se para isso quer símbolos especiais (na transcrição fonética ou fonológica), quer, em certos casos, a própria ortografia, eventualmente acrescida de alguns sinais convencionais (como no registro de entrevistas ou na análise do discurso). Embora tal associação se justifique, transcrever não é uma tarefa mecânica de substituição de elementos sonoros por símbolos gráficos, e decorre da interação de diversos outros fatores que determinam o que deve ser transcrito, por que razão e de que maneira, fatores esses concernentes à natureza e ao objeto da pesquisa, ao tipo de dados que se espera ou se pretende obter, e aos resultados e aplicação visados. Nesta comunicação tecemos considerações a respeito de vários desses fatores, baseando-nos não só nos aspectos teóricos da questão, como também nos sistemas de transcrição adotados na literatura da área, em geral baseados no sistema proposto no clássico trabalho de Sacks, H.; Schegloff, E. & Jefferson, G. A simplest systematics for the organization of turn-taking in conversation. Language 50, p. 696-735  [
texto - pdef]
FILOLOGIA BANDEIRANTE: REGISTRO DE ENTREVISTAS. In: MEGALE, H. (org.) Filologia Bandeirante: Estudos 1. São Paulo: Humanitas/FFLCH-USP, 2000. p. 163-169
COGNATOS: SISTEMATIZAÇÃO E IMPLICAÇÕES.  Cadernos do Centro de Línguas (USP), 1998. p. 137-142.  Palavras cognatas (isto é, de mesma origem) são uma conhecida fonte tanto de facilidade quanto de interferência na aprendizagem de línguas. Quando apresentam denotação idêntica são de reconhecimento óbvio (comumente denominado transparência) e permitem transferência total. É o caso, por exemplo de Ing. necessity x Port. necessidade x Fr. necessité x It. necessità, etc. Constituem contudo um obstáculo quando apesar da semelhança de forma possuem denotações diversas, como no caso de Ing. attend x Port. atender, Fr. subir x Port. subir, Esp. tonto x Port. tonto, etc. A terminologia usual em português refere-se inadequadamente a estas últimas como falsos cognatos. Trata-se, na verdade, de cognatos verdadeiros (pois têm a mesma origem) que divergem apenas em sua significação. Tais palavras recebem denominação mais adequada em outras línguas, como por exemplo em francês (faux amis: falsos amigos) ou em inglês (deceptive cognates: cognatos enganosos). A rigor, a expressão falsos cognatos: deveria ser empregada com referência a palavras que apenas aparentem ser relacionadas, como em Ing. saber (sabre) x Port. saber It. burro (manteiga) x Port. burro, etc. Nesta comunicação propomos uma sistematização taxionômica dos diversos tipos de cognatos possíveis, ilustrada com exemplos de diversas línguas, da qual decorrem implicações pedagógicas. [Palavras-chave: cognato, lexicologia, vocabuário, interferência, lingüística aplicada]
DISTRIBUIÇÃO DE PADRÕES DE ACENTUAÇÃO VOCABULAR EM PORTUGUÊS. Confluência (UNESP/Assis) 5/3, 1997. p. 82-93.  Em português, vocábulos isolados podem receber o acento principal (tônico) em uma de suas três últimas sílabas. Em contexto, ocorre ainda a possibilidade de acentuação na quarta última (como em levantávamo-nos, afigurava-se-lhe, etc.) Intuitivamente, sabe-se que predominam os vocábulos paroxítonos, que os proparoxítonos são — ou parecem ser — bem menos freqüentes, e que grande número de monossílabos pertencem a categorias gramaticais raramente postas em destaque no enunciado. Esse conhecimento empírico se reflete nos critérios de acentuação gráfica adotados. Faltam-nos, contudo, dados que permitam corroborar tais suposições. De per si, a posição do acento dito tônico associa à natural função cumulativa uma função distintiva em vocábulos de duas ou mais sílabas. É, contudo, da sucessão dos diversos padrões de acentuação vocabular em contexto que decorrerá a distribuição de acentos no grupo de força e em unidades de maior extensão, determinando assim o ritmo característico da língua portuguesa. Neste trabalho desenvolvemos estudo preliminar referente à freqüência de ocorrência dos padrões de acentuação vocabular em português, tomando por base a análise feita por Delattre (1965) para o inglês, francês, alemão e espanhol. REF. BIB.: DELATTRE, Pierre. Comparing the phonetic features of English, German, Spanish and French. Heidelberg: Julius Groos, 1965.
DE VIVA VOZ: AS CARTAS GRAVADAS. In MAGALHÃES, Maria Izabel (org.) As múltiplas faces da linguagem. Brasília: UnB, 1996. p. 91-98
MUITO ALÉM DAS PALAVRAS (CRUZADAS). Estudos Lingüísticos XXIII (GEL/São Paulo), 1994. p. 611-618
TRANSCRIÇÃO DA FALA CORRENTE: TEORIA E OBSERVAÇÃO. Estudos Lingüísticos XXI (GEL/Jaú), 1992. p. 614-620
A FONOLOGIA NA OBRA DE JOAQUIM MATTOSO CÂAMARA JR.  ABRALIN 12 1991. p. 181-192

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