ACEZO - Academia de Escritores da Zona Oeste da Grande São Paulo
DEFESA DE TESE
PATRONO:

Malba Tahan |
ACADÊMICO:

Pedro Lavirod |
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho a Malba Tahan, um dos maiores
escritores e sábios brasileiros que, além da escrita
e de sua fundamental importância para a ciência
da matemática, dedicou grande parte de sua
vida aos hansenianos. Aleikum essalã! 1
"Um
homem
que
viveu
muito
além
de
seu
tempo"
_________________________
1Seja contigo a paz!
POR QUÊ MALBA TAHAN?
Finalmente, quinta-feira, 13 de agosto de 1998, pouco depois da meia-noite. Gritei para mim mesmo:
- Ele nasceu!
Como um maluco. Saí de meu escritório e fui direto para o quarto. O protótipo de meu livro já estava pronto. Sentia o coração mais leve, apesar de extenuado fisicamente. O parto havia sido com fórceps. Agora, precisava mostrá-lo para minha esposa, o mais rápido possível.
- Jan, terminei meu livro! Vou deixá-lo aguardando um patrocinador e certamente surgirá algum mecenas que se interessará por ajudar-me. O que importa é que ele já está criado e este foi meu maior presente de aniversário de minha vida!
- Parabéns, Dori. Agora acho bom você descansar um pouco e parar com toda essa correria. Vamos observar as estrelas e relaxar. Afinal, hoje é o dia do seu aniversário e, com certeza, será muito especial.
- Antes quero demonstrar para você alguns números: Hoje é 13.08.1998 e 1+3+8+1+9+9+8 é igual a 39. Como você gosta do número 13, será três vezes melhor, ou três vezes o treze!
- Mas - continuou - você vai conseguir publicá-lo quando criar a sua própria editora, e, somente após o ano 2001, pois o 3 significa a vontade, o amor e a inteligência e... o terceiro milênio, que abrirá as portas para você!
- Ah, Dori, para calcular o número de vezes que você poderá criar anagramas com esse seu novo nome artístico - PEDRO LAVIROD1, use a fórmula de Análise Combinatória e verá que resultam em 59.875.200 anagramas! Para se ter uma idéia, seriam necessários 114 anos para se montar todos os anagramas possíveis, e, demorando um minuto na criação de cada um, nossos filhos, netos e bisnetos teriam que continuar montando os arranjos, para que você pudesse descansar em paz!
- Impressionante! - pensei, apreensivo. - Aquele seu malabarismo numérico me deixou surpreso e encantado, confesso.
- Mas - continuou, - se você usasse seu nome completo - DORIVAL PEDRO DOS SANTOS, - daria nada menos que 14.783.258.000.000.000 de anagramas... Caso cada um fosse representado por um bloco de pedra da pirâmide Quéops, daria para se ter 2.463.876 blocos, ou uma pirâmide para cada um dos seis bilhões de habitantes do planeta Terra, o que poderia cobrir totalmente sua superfície com elas, se colocadas lado a lado, não é lindo, Dori? - disse-me, com um incomum brilho nos olhos, fazendo com que me sentisse despido de minha pretensa coragem.
- Por favor, pare, seja lá quem for! - gritei bem alto, já preocupado com tamanha evidência de que não se tratava de minha esposa ou de um outro mortal qualquer...
- Fique tranqüilo, Dori. Afinal eu também tenho o direito de saber um pouquinho de matemática... Vamos subir?
- Vamos - respondi, ainda meio temeroso. Sabia que Jan não tinha tamanha habilidade numérica, digna do grande mestre matemático e romancista brasileiro, Malba Tahan, pai de O Homem que Calculava, e ela, simplesmente, brincava com eles!
A noite estava um pouco quente. Pegamos dois colchonetes e fomos até ao observatório, nos deitamos e ficamos apreciando o cosmo.
...
Isso explica em parte, colegas, o porque de ter escolhido Malba Tahan, no meio de tantos monstros sagrados da literatura brasileira. Este pequeno trecho é de meu livro, ainda no prelo - Confidências de um Abduzido - , onde faço reverência a esse grande sábio, matemático e escritor brasileiro cujo principal filho literário O Homem que Calculava influenciaria com suas encantadoras mensagens, a muitas e muitas gerações de buscadores, inclusive a este aprendiz de escritor.
Coincidentemente ou não, também criei meu pseudônimo literário neste meu primeiro trabalho, onde passei a assinar Pedro Lavirod, apenas com uma diferença: o meu veio das estrelas, enquanto que o de Malba Tahan, das arábias e de sua mente criativa.
Como ponto em comum, além dos números e anagramas, temos o gosto pela cultura árabe, o que se acentuou após minha viagem ao Egito, em 1997, que me proporcionou combustível para escrever alguns romances, entre eles, O Andarilho Enigmático; Um Enígma em Aswan e O Espelho de Gizé.
BIOGRAFIA
Júlio César de Mello e Souza nasceu em Niterói, no Rio de Janeiro, em 6 de maio de 1895, o quinto de nove filhos do casal João de Deus de Mello e Souza, professor e funcionário do Ministério da Justiça, e d. Carolina Carlos de Mello e Souza ou d. Sinhá, professora. Passou sua infância, junto com seus oito irmãos, em Queluz, uma pequena e agradável cidade serrana, às margens do Rio Paraíba do Sul e da Rodovia Presidente Dutra, quase na divisa de São Paulo com o Rio de Janeiro, onde fez o curso primário.
Em 1906, aos dez anos, foi enviado pelo pai ao Rio, onde deveria se preparar para o Colégio Militar. Coube ao seu irmão mais velho, João Batista, tarefa de orientá-lo e mais que isso, fazê-lo estudar. Preocupado, escreveu certa vez ao pai informando sobre Júlio César: - Não sei como o Julinho vai se sair no exame: escreve mal e é uma negação em matemática (tirou notas vermelhas). Contrariando as previsões pessimistas do irmão, Júlio César ingressou no Colégio Militar, onde permaneceu até 1909 quando se transferiu para o Colégio Pedro II, e, posteriormente, fez o curso de Professor Primário na antiga Escola Normal, do então Distrito Federal.
Em 1913, matriculou-se na Escola Politécnica, tendo concluído o curso de Engenharia Civil, mas nunca exerceu a profissão.
Iniciou suas atividades profissionais como servente e auxiliar interino da Biblioteca Nacional, privilegiada oportunidade de conviver com milhares de livros. A sua carreira de professor começou nas turmas suplementares do Externato do Colégio Pedro II. Depois, assumiu a docência na Escola Normal. Lecionou para menores carentes.
Tornou-se mais tarde catedrático do Colégio Pedro II, do Instituto de Educação, da Escola Normal da Universidade do Brasil e da Faculdade Nacional de Educação, onde recebeu o título de Professor Emérito. Antes de ser professor de Matemática, lecionou História, Geografia e Física, tendo exercido brilhantemente sua profissão durante mais de sessenta anos.
Para abraçar a carreira de magistério, Júlio César fez curso de teatro com Procópio Ferreira e, mais que um professor, se tornou um ator. Explorou o interesse lúdico da juventude para introduzir nas aulas, conferências e livros que escreveu uma nova didática da matemática. Nas aulas, trabalhava com estudo dirigido, manipulação de objetos e propôs a criação de laboratórios de matemática em todas as escolas.
Segundo o professor Antonio José Lopes Bigode, ele estava muito além do seu tempo. O resgate da sua didática pode revolucionar o ensino. Ainda hoje o ensino tradicional é responsável pela metade das repetências.
Em seu depoimento no Museu da Imagem e do Som, Júlio César admitiu não dar zeros: Por que dar zeros, se há tantos números? Dar zero é uma tolice.
El hamd lelah! 1
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1 Graças a Deus!
CONTEXTO HISTÓRICO
Após a eclosão da Semana de Arte Moderna – SAM, anunciada ruidosamente no dia 20/1/1922 pelo O Estado de São Paulo como o grande acontecimento cultural que se realizaria de 11 a 18 de fevereiro no Teatro Municipal de São Paulo, servindo de marco cronológico do Modernismo brasileiro, surge Malba Tahan, fascinando a juventude e amantes de narrativas do mundo árabe, em meio a inquietação de novos autores.
Para mim, as idéias criativas inseridas pela Semana da Arte Moderna encaixaram como uma luva naquele espírito inovador e criativo que estava alçando vôo e que o levaria para além dos horizontes tupiniquins, imortalizando-o, mesmo a contragosto dos coronéis da Academia Brasileira de Letras de então.
“Aqui estou a teu lado, combatente, árabe amigo e irmão!
Por teu passado, pelo teu presente, por Teu futuro eu te estendo a mão!”
Judas Isgorogota
Uassalã! 1
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1 Forma usual de despedida.
O SURGIMENTO DO ENIGMÁTICO MALBA TAHAN
Aos 23 anos, Júlio César, depois de tentar inutilmente publicar alguns artigos seus, no jornal O Imparcial onde trabalhava. Porém, convenceu o editor a publicar os artigos de um certo R. S. Slade, que, segundo ele, estava fazendo enorme sucesso nos Estados Unidos. O primeiro de todos os artigos publicados com o pseudônimo R. S. Slade foi A vingança do Judeu.
Entre 1918 e 1925, Júlio César estudou árabe, leu o Talmude e o Alcorão, estudou História e Geografia do Oriente e, combinado com Irineu Marinho, do jornal A Noite, criou o personagem Ali Iezid Izz-Eduim Ibn Salim Hank Malba Tahan. O personagem nasceu em 1885 na Arábia Saudita, e bastante jovem foi prefeito (queimaçã) de El Medina. Com a herança do pai, Tahan ficou riquíssimo e viajou por vários países como a Rússia, a Índia e o Japão, morrendo em 1921, na luta pela libertação de uma tribo na Arábia Central. Para maior verossimilhança foi criado também um "tradutor" para a obra de Tahan, o professor Breno de Alencar Bianco.
O jornal começou a publicação dos Contos de Malba Tahan com a biografia do suposto autor. O nome Tahan foi tirado do sobrenome de uma de suas alunas - Maria Zachsuk Tahan - e Tahan significa moleiro ou moendeiro. O nome Malba significaria oásis. A mudança de nome tornou-o tão famoso que o presidente Getúlio Vargas autorizou-o a usar o nome Malba Tahan na sua cédula de identidade.
Júlio César só saiu do Brasil para visitar Lisboa, Montevidéu e Buenos Aires: jamais esteve no Oriente, jamais viu um deserto!
O ESCRITOR MELLO E SOUZA
Ao longo de sua vida, o prof. Júlio César escreveu sozinho ou em parceria com outros matemáticos, entre eles: Euclides Roxo, Irene de Albuquerque, Jurandy Paes Leme, Cecil Thiré, Nicanor Lemgruber, Jairo Bezerra e Célia Moraes, 48 livros diversos; também escreveu uma novela junto com uma ex-hanseniana Eva Antakieh, um de seus maravilhosos resgates.
O ESCRITOR MALBA TAHAN
Com o pseudônimo de Malba Tahan publicou cerca de 56 livros. Sua obra é bastante diversificada: trata de matemática, didática, contos orientais, contos infantis, teatro, moral religiosa, temas brasileiros, etc. O livro preferido de Malba Tahan era A Sombra do Arco-íris mas, e o mais famoso é O Homem que Calculava, que conta a história de um árabe que usa a matemática para resolver qualquer tipo de problema. A obra foi premiada pela Academia Brasileira de Letras.
OUTRAS ATIVIDADES
Durante seus quase oitenta anos ministrou cursos e mais de duas mil palestras para professores e estudantes, especialmente normalistas. Durante sua vida esteve em diversos Estados, instigando o coração daqueles que buscavam um pouco além do acadêmico.
Profissionalmente, a sua convivência com alguns matemáticos foi muito polêmica. Ainda hoje há quem insista em não reconhecer o talento e a competência do maior de todos os matemáticos brasileiros.
Entre um livro e outro, Malba Tahan editou duas revistas: Al-Karisme (matemática) e Damião, dirigida aos hansenianos aos quais visitava em suas colônias e dos quais sempre se fez presente e amigo. Ele sempre se dedicou à causa dos hansenianos, lutando contra a sua segregação. No seu testamento solicitou que, no seu sepultamento lessem uma última mensagem de apoio e solidariedade aos hansenianos.
Conta-se que numa sessão espírita, uma senhora singela, levantou-se, mediunizada, apontou em sua direção, dizendo: “Conheço-o! Conheço-o! Há muito tempo foi um leproso e miserável felá! Habitava as margens do Nilo!...“
Julio César foi ainda apresentador de programa nas rádios Nacional, Clube e Mairynk Veiga do Rio e da TV Tupi (Rio) e Canal 2 (atual TVC - São Paulo).
A GRANDE PERDA
Convidado pela Secretaria de Educação de Pernambuco estava ministrando dois cursos no Colégio Soares Dutra do Recife: A Arte de Contar Histórias e Jogos e Recreações) quando foi surpreendido pela morte. As 5:30 horas da manhã de 18.06.1974, aos 79 anos, expirava, nos braços de Nair, sua esposa, no Hotel Boa Viagem, em Recife. O atestado de óbito indicava como causas, edema pulmonar agudo e trombose coronária. Seu corpo foi trasladado para o Rio e, dia 19, às 10 horas, enterrado no Cemitério do Caju. Muitos daqueles que se privaram com ele, direta e indiretamente, através de seus escritos maravilhosos, foram até àquela necrópole.
Em última carta deixada aos familiares, assim dizia: “Quero o enterro mais modesto que for possível; 2) Não quero coroas. Se alguém, por acaso, enviar uma coroa, peço que a devolvam com um delicado cartão...; 3) Aceitarei flores. Sim, aceitarei, com prazer, as flores. Que sejam, porém, anônimas. Nada de frases feitas com dedicatórias, legendas... Acho horrível essa literatura funerária, sem expressão: “Homenagem eterna”, “Recordação sincera”, etc....”
Lembrando Noel Rosa, Júlio César também deixou a recomendação de não usarem luto por causa de sua morte e que utilizassem um caixão de terceira categoria:
Roupa preta é vaidade / Para quem se veste a rigor
O meu luto é a saudade / E a saudade não tem cor.
A HERANÇA
O Brasil não tem feito justiça ao grande matemático. No ano do centenário de seu nascimento apenas as Revistas Superinteressante e Nova Escola lhe homenagearam. Seu livro mais famoso, O Homem que Calculava, que já ultrapassou a 45a edição, vendeu mais de dois milhões de exemplares, foi traduzido para o alemão, o inglês, nos Estados Unidos e na Inglaterra, o Italiano, o espanhol e o catalão. O Homem que Calculava é indicado como livro paradidático em vários países, citado na Revista Book Report e em várias publicações do gênero.
Malba Tahan foi o precursor de uma nova tendência que se afirma com vigor e tem adeptos em todo o Brasil: a Educação Matemática. Pioneiramente trabalhou com a História da Matemática, defendeu com veemência a resolução de exercícios sem o uso mecânico de fórmulas, valorizando o raciocínio e utilizou atividades lúdicas para o ensino da matemática. Muito antes de se tratar no País da interdisciplinaridade, Malba Tahan preocupou-se com a unificação das ciências como demonstra na sua tese, o professor John Conway da Universidade de Princeton. Sua obra tem sido objeto de diversas teses no exterior e comentada pela Revista Science (1993) e pela profa. Rossana Taziolli da Societá Italiana di Scienze Matematiche e Fisiche.
Malba Tahan ocupou a cadeira número 8 da Academia Pernambucana de Letras e é nome de escola no Rio de Janeiro. A homenagem mais importante foi prestada pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro instituindo o Dia do Matemático na data de seu nascimento, dia 06 de maio.
Apesar de não ter pertencido à Academia Brasileira de Letras, nem tampouco figurar em muitos compêndios contemporâneos de literatura, escreveu 115 obras, entre livros de matemática, romances e contos juvenis.
Malba Tahan contou com a amizade e admiração integral de um grande mestre da literatura infanto-juvenil, Monteiro Lobato.
Privados da presença do grande mestre há um quarto de século, confortamo-nos com o seu precioso legado, inequívoca contribuição para a difusão da ciência e a desmistificação da matemática .
Ah, tivesse nascido noutras paragens... talvez fosse considerado o maior matemático e escritor da Via Láctea...
PRINCIPAIS OBRAS:
Mesmo com as imensas dificuldades do mercado livreiro, em 1925, surge Malba Tahan com um livro exótico que conquistou o coração de todos pelo próprio título: Contos de Malba Tahan.
Apesar de nunca ter viajado ao mundo árabe, mas fruto de intensa pesquisa literária, sua obra era impregnada do verdadeiro espírito oriental, com seus devaneios enigmáticos alicerçados em oásis, desertos, xeiques, odaliscas, reis, caravanas, beduínos, exotismos, mistérios e fantasias, o que fascinava os ocidentais, carentes tudo o que aquela sua nobre arte encerrava.
Envolvendo e seduzindo o sequioso coração de jovens e adultos, suas mensagens vão tomando forma. Entre seus principais títulos estão: Contos de Malba Tahan (1925), Amor Beduíno (1930), Lendas do Deserto (1932), Lendas do Oásis (1933), Maktub (1935), Alma do Oriente (1936), Novas Lendas do Deserto (1937), O Livro de Aladim (1943), O Homem que Calculava (1946), À Sombra do Arco-Iris (1948)(seu livro predileto), Céu de Allah (1950), etc.
Para quem se deleitava com raciocínios lógicos, enigmáticos e ludicamente estruturados, criou vários livros de matemática. Podemos destacar: Dicionário Curioso e Recreativo da Matemática (1940), Histórias e Fantasias da Matemática (1939), Diabruras da Matemática (1943), Matemática Divertida e Fabulosa (1943) e Folclore da Matemática (1957).
Malba Tahan também lançou mão de material bíblico cristão, onde também impera o maravilhoso e escreveu: Lendas do Céu e da Terra (1935), Lendas do Povo de Deus (1938), Romance do Filho Pródigo (1940), etc. Uma nova fase se inicia então em sua vida e, a partir de 1934, começa a escrever para as crianças e, na trilha da imaginação lúdica, escreve dezenas de títulos que até hoje continuam sendo reeditados.
O Homem que Calculava, além de ser premiado pela Academia Brasileira de Letras, foi traduzido para o espanhol e para o inglês e até hoje encanta buscadores no mundo inteiro, estando em sua 42a. edição, só no Brasil. O escritor Jorge Luiz Borges colocava-os entre os mais notáveis livros da Humanidade.
Foi um pioneiro no uso didático da História da Matemática; na defesa de um ensino baseado na resolução de problemas não-mecânicos; na exploração didática das atividades recreativas e no uso de material concreto no ensino da Matemática e também um dos primeiros a explorar a possibilidade do ensino através do rádio e da televisão.
Mas, hoje, passados apenas um quarto de século, resta apenas o pó sobre o dorso de seus livros nas empoeiradas estantes tupiniquins... Resta-nos observar o quanto ainda precisamos crescer neste rincão que não sabe valorizar seus cidadãos. Dá-se a impressão de que os coronéis não gostam de artistas, principalmente os do mundo das letras... Embaça-lhes o brilho! (?).
CONTOS DE “O HOMEM QUE CALCULAVA”
...- Quem és, de onde vens e que desejas daquele que, pela vontade de Vichnu, é rei e senhor de Taligana?
- Meu nome - respondeu o jovem brâmane - é Lahur Sessa e venho da aldeia de Namir, que trinta dias de marcha separam desta bela cidade. Ao recanto em que eu vivia chegou a notícia de que o nosso bondoso rei arrastava os dias em meio de profunda tristeza, amargurado pela ausência de um filho que a guerra viera roubar-lhe. Grande mal será para o país, pensei, se o nosso dedicado soberano se enclausurar, como um brâmane cego, dentro de sua própria dor. Deliberei, pois, inventar um jogo que pudesse distraí-lo e abrir em seu coração as portas de novas alegrias. É esse o desvalioso presente que desejo neste momento oferecer ao nosso rei Iadava.
... Depois de aprender o jogo de xadrez ofertado, feliz, disse o Rei Iadava ao fiel e sábio súdito Sessa:
- Quero recompensar-te, meu amigo, por este maravilhoso presente, que de tanto me serviu para alívio de velhas angústias. Dize-me, pois, o que desejas, para que eu possa, mais uma vez, demonstrar o quanto sou grato àqueles que se mostram dignos de recompensa. Quereis uma bolsa cheia de ouro? Desejas uma arca repletas de jóias? Já pensaste em possuir um palácio? Aguardo a tua resposta, por isso que à minha promessa está ligada a minha palavra!
... Depois de muito insistir, Sessa pediu ao bondoso rei Iadava que o pagamento fosse feito em grãos de trigo.
- Grãos de trigo? - Estranhou o rei, sem ocultar o espanto que lhe causava semelhante proposta. - Como poderei pagar-te com tão insignificante moeda?
- Nada mais simples - elucidou Sessa. - Dar-me-eis um grão de trigo pela primeira casa do tabuleiro; dois pela Segunda, quatro pela terceira, oito pela Quarta, e, assim dobrando sucessivamente, até a sexagésima Quarta e última casa do tabuleiro. Peço-vos, ó rei, de acordo com a vossa magnânima oferta, que autorizeis o pagamento em grãos de trigo, e assim como indiquei! ...
- Insensato! - clamou o rei. - Onde foste aprender tão grande desamor à fortuna? A recompensa que me pedes é ridícula. Bem sabes que há, num punhado de trigo, número incontável de grãos. Devemos compreender, portanto, que com duas ou três medidas de trigo eu te pagarei folgadamente, consoante o teu pedido, pelas 64 casas do tabuleiro.
... Depois de ordenar que os algebristas calculassem o resultado, e o espanto:
18.446.744.073.709.551.615 (18 quintiliões...)
Eqüivale a uma montanha que, tendo por base a cidade de Taligana, seria cem vezes mais alta do que o Himalaia! A Índia inteira, semeados todos os seus campos, taladas todas as suas cidades, não produziria em 2000 séculos a quantidade de trigo que, pela vossa promessa, cabe, em pleno direito, ao jovem Sessa!
Depois de recusar a recompensa, disse Sessa ao rei:
- Meditai, ó rei, sobre a grande verdade que os brâmanes prudentes tantas vezes repetem: os homens mais avisados iludem-se, não só diante da aparência enganadora dos números, mas também com a falsa modéstia dos ambiciosos. Infeliz daquele que toma sobre os ombros o compromisso de uma dívida cuja grandeza não pode avaliar com a tábua de cálculo de sua própria argúcia. Mais avisado é o que muito pondera e pouco promete!
Nota do editor: Se fôssemos contar os grãos, a razão de 1 por segundo, dia e noite sem parar, gastaríamos 5.850 milhões de séculos!
Deparou-se Beremis com 3 irmãos discutindo sobre uma herança recebida do pai:
...Segundo a vontade expressa de meu pai, devo receber a metade, o meu irmão Hamed Namir uma terça parte e ao Harim, o mais moço, deve tocar apenas a nona parte. Não sabemos, porém, como dividir dessas forma 35 camelos, e a cada partilha proposta segue-se a recusa dos outros dois, pois a metade de 35 é 17 e meio. Como fazer a partilha, se a terça parte e a nona parte de 35 também não são exatas?
- É muito simples - atalhou o Homem que Calculava. - Encarrego-me de fazer, com justiça, essa divisão, se permitirem que eu junte aos 35 camelos da herança este belo animal que, em boa hora, aqui nos trouxe!
Depois de entregar seu camelo, ficou assim a divisão:
O primeiro, que receberia a metade de 35, ou 17 camelos e meio, recebeu 18. Hamed, que receberia um terço, ou 11 e pouco, recebeu 12. E o mais moço que receberia um nono ou 3 e tanto, recebeu 4. ... E concluiu com a maior segurança e serenidade:
- Pela vantajosa divisão feita entre os irmãos Namir - partilha em que todos saíram lucrando - , couberam 18 camelos ao primeiro, 12 ao segundo e 4 ao terceiro, o que dá um resultado de 34 camelos. Dos 36 camelos, sobram, portanto, 2. Um pertence, como sabem, ao bagdali, meu amigo e companheiro, outro toca por direito a mim, por ter resolvido, a contento de todos, o complicado problema da herança!
CONTOS DE “LENDAS DO BOM RABI”
OS TÍTULOS DO CANDIDATO
“Certo rapaz, sem grandes predicados, apresentou-se ao “Riziner” e manifestou o desejo de ser ordenado rabi. O “Riziner” interrogou-o sobre a sua maneira de proceder. Sobre suas predileções e o candidato, com pueril volubilidade, alegou, a seu favor, os seguintes títulos:
- Visto-me sempre de branco; bebo só água; prego cravos no meu calçado para me mortificar. E faço mais ainda: deito-me despido na neve e mando o zelador da sinagoga dar-me, todos os dias, quarenta chicotadas nas costas.
Nisso um cavalo branco entrou no pátio, bebeu água e estirou-se no chão coberto de neve.
- Repara - aconselhou o “Riziner”, batendo no ombro do jovem - repara! Aquele animal que ali está, é branco, bebe só água, tem cravos nas ferraduras, deita-se na neve e apanha mais de quarenta chicotadas por dia. Entretanto, não passa de um simples cavalo.
O MENDIGO NA CERCA
Achava-se certo ricaço à janela, quando viu, do outro lado da rua, um mendigo a esfregar as costas num cercado. Informado de que o pobre homem não tinha, havia meses, com que pagar um banho, deu-lhe algum dinheiro e uma muda de roupa.
A notícia daquele sucesso espalhou-se pela cidade, e não tardou que outros dois pobres que viviam nos arredores, fossem ter à mesma cerca, e para atrair a atenção do dadivoso judeu puseram-se a esfregar energicamente numa das estacas. Mas, em vez de lhes dar esmola, o ricaço ao avistá-los, correu-os a bengaladas.
- Fora daqui, embusteiros! Bradava ele num tom precipitado e cavernoso! - A mim é que não me iludem! Fora daqui, mandriões!
- Mas por que acreditaste no outro? - protestou atarantado um dos mendigos, fitando o rico com a face emparvecida.
- Porque ele estava sozinho, e, naturalmente, sentindo aflição nas costas, só encontrou um meio: esfregar-se na cerca. Mas vocês são dois, e se não fossem cínicos e impostores, cada um coçaria as costas do outro.
E, exaltado, com fulminante gesto de cólera:
- Fora daqui!
CONTOS DE MAKTUB
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O PRÍNCIPE E O FILÓSOFO
O príncipe Hi-Chang-Li era vaidoso e fútil. Um dia, ao regressar de um passeio em companhia de vários amigos, encontrou Confúcio. O venerável filósofo, sentado na laje de um poço, meditava tranqüilo.
- Eis uma oportunidade feliz - declarou o príncipe.- Consultemos esse famoso pensador sobre as dúvidas que nos ocorreram durante a excursão.
Um dos mandarins aproximou-se de Confúcio e interrogou-o:
- Em que consiste, ó esclarecido filósofo, a verdadeira caridade?
- Em amar os homens! - foi a resposta.
- E a ciência?
- Em conhecer os homens!
- E o erro?
- Em confiar nos homens!
- E qual a arte mais difícil?
- Governar os homens!
Ao ouvir aquelas respostas, disse o príncipe, em voz baixa, ao mandarim:
- Noto que o velho retórico insiste em formular as respostas da mesma forma, relacionando-as, invariavelmente, com os homens. Irrita-me essa preocupação maníaca. Pretende, com certeza, divertir-se à vossa custa. É preciso interrogá-lo de modo que ele se veja obrigado a modificar o estribilho.
- Nada mais simples ¾ rosnou, entre dentes, o mandarim.
- Podes dizer-me, ó eloqüente filósofo, quantas estrelas há no céu?
Respondeu o Mestre:
- São tantas quantos os pecados, erros, defeitos e impertinências dos homens!
E depois de proferir tais palavras, levantou-se vagaroso e afastou-se dos indesejáveis argüidores.
O OLEIRO E O POETA (trecho)
...
- Sim, senhor juiz - confirmou o oleiro desabridamente - fui agredido em minha própria casa por esse poeta. Estava, como de costume, trabalhando em minha oficina, preparando dois novos vasos coloridos que pretendia vender ao príncipe Farid, quando ouvi o ruído surdo e a seguir um baque. Percebi logo de que se tratava. O poeta Fauzi, que cruzava, naquela ocasião, a Rua Bardauni, havia atirado violentamente uma pedra e partira um dos vasos - um vaso já pronto que estava a secar junto à porta! Ora, senhor juiz, isto é um atentado, um crime! Estou no meu direito: exijo uma indenização!
Voltou-se o juiz para o poeta e interpelou-o serenamente:
- Que tens a alegar, meu amigo? Como justificas o teu estranho proceder?
- Senhor Cádi - respondeu o jovem, refreando o impulso de cólera - o caso é muito simples e quero crer que a razão milita a meu favor. Há três dias voltava eu da mesquita quando, ao cruzar a Rua Bardauni, em que mora o oleiro Nagib, percebi que ele declamava um de meus poemas. Notei, com tristeza, que os versos estavam errados; o oleiro mutilava, isto é, quebrava os meus versos. Aproximei-me dele e, delicadamente, ensinei-lhe a forma certa, que ele repetiu sem grande dificuldade. No dia seguinte, ao passar novamente pelo mesmo lugar, ouvi ainda o oleiro a repetir os mesmos versos deturpados, isto é, com a forma erradíssima. Cheio de paciência tornei a ensinar-lhe a forma correta e pedi-lhe que não tornasse a mutilar os meus poemas. Hoje, finalmente, regressava eu do trabalho quando, ao passar pela Rua Bardauni, percebi que o oleiro declamava a minha poesia estropiando as rimas e mutilando vergonhosamente os versos. Não me contive. Apanhei de uma pedra e parti com ela um de seus vasos. Como vê senhor juiz, o meu procedimento não passou, afinal de represália de um poeta que se sente ferido em sua sensibilidade artística por um indivíduo grosseiro.
Ao ouvir as alegações do poeta, o juiz, dirigindo-se ao oleiro, declarou:
- Que esse caso, ó Nagib, sirva de lição para o futuro! Procura respeitar as obras alheias a fim de que os outros artistas respeitem as tuas. Se te julgavas com o direito de quebrar o verso do poeta, achou-se também o poeta com o direito de quebrar o teu vaso. Lembra-te de que o poeta é o oleiro da frase, ao passo que o bom oleiro é o poeta da cerâmica! - E a sentença do ilustre cádi foi a seguinte: - Determino, pois que o oleiro Nagib fabrique um novo vaso de linhas perfeitas e cores harmoniosas, no qual o poeta Fauzi escreverá um de seus lindos versos. Esse vaso será vendido em leilão e a importância da venda repartida igualmente entre ambos.
A notícia do caso espalhou-se pela cidade. O oleiro vendeu muitos vasos com versos do poeta Fauzi e ambos tornaram-se prósperos e ricos. Mas continuaram sempre bons amigos. O oleiro mostrava-se arrebatado ao ouvir os versos do poeta; encantava-se o poeta com os vasos impecáveis do oleiro.
Uassalã!
ALGUMAS HOMENAGENS A MALBA TAHAN
BIBLIOTECA INFANTO-JUVENIL MALBA TAHAN
Rua Brás Pires Meira, 100 Jd. Suzana - SP - Tel.: 522-8351
BUSTO DO ESCRITOR MALBA TAHAN
Hospital de Curupaiti - RJ. Criado por Hildebrando Lima, escultor e pintor baiano.
CENTRO EDUCACIONAL MALBA TAHAN
Rua Ferdinando Borla, 204 - S. André- SP
Fone 4972-5698
DIA DA MATEMÁTICA, 6 DE MAIO (seu aniversário)
Instituído pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.
ESCOLA ESTADUAL MALBA TAHAN
1a. a 4a. série fundamental (uma escola modelo)
Localização: Av. São Paulo, 4981 - Umuarana - PR
MUSEU MALBA TAHAN
Após sua morte terrena, sua família doou todo seu acervo ao Museu Malba Tahan, Localizado em Queluz, SP.
PEÇAS TEATRAIS
Malba Tahan - O Homem que Calculava, baseado no livro homônimo.
Lilivati - Aventuras da Matemática, baseado em seu conto, que trata de fatos e personagens da história da Matemática.
PRÊMIO MALBA TAHAN
A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil o instituiu, sendo hoje um dos mais cobiçados troféus da literatura brasileira.
CARTA DE MONTEIRO LOBATO À MALBA TAHAN
Acusando o recebimento de O Homem que Calculava, Monteiro Lobato dirigiu a seguinte carta a Malba Tahan:
São Paulo, 14 de janeiro de 1939
Malba Tahan:
“O Homem que Calculava” já me encantou duas vezes e ocupa lugar de honra entre os livros que conservo. Falta nele um problema - o cálculo da soma de engenho necessário para a transformação do deserto da abstração matemática em tão repousante oásis. Só Malba Tahan faria obra assim, encarnação que ele é da sabedoria oriental - obra alta, das mais altas, e só necessita de um país, que devidamente a admire; obra que ficará a salvo das vassouradas do Tempo como a melhor expressão do binômio “ciência-imaginação”.
Que Allah nunca cesse de chover sobre Malba Tahan a luz que reserva para os eleitos.
Monteiro Lobato
UM ACRÓSTICO PARA MALBA TAHAN
MALBA TAHAN
Mundo literário, mundo sanguinário
Adagas ferindo... peitos insensíveis
Lembranças vagas no imaginário
Bramindo como feras invisíveis
Aqui dentro deste pobre cenário.
Tantos talentos, santos relicários
Aquém mortos, além imortalizados
Habitantes inóspitos, que não sabem amar
Aos poucos sendo divididos
Não sabem sequer somar!
Pedro Lavirod, 18 de março de 2002, era vulgar.
SAPOS, SAPOS E MAIS SAPOS
Minha singela Homenagem à criança que sempre existiu no grande Malta Tahan, que gostava de acompanhar profissões e de colecionar sapos... O líder chamava-se Monsenhor e o seguia em suas andanças (quando grande, os tinha sob a forma de objetos: madeira, metal, louça, jade, cristal e cerâmica).
O SAPO E A BORBOLETA
Sabia que sou mais bonita?
A borboleta disse ainda ao sapo:
Pobre batráquio asqueroso,
O que você é me causa nojo!
E o sapo, com toda calma do mundo,
Assim respondeu à borboleta:
Bonita é minha natureza anfíbia,
O que, também, me protege mais,
Rios e solo me dão guarida,
Brejos e até mesmo matagais!
O que você faz para se defender?
Livre, viajo sobre todos os animais!
E, num segundo, o sapo projetou
Tamanha língua no espaço,
Acabando, assim, com o embaraço!
Nota: Publicado em O Livro dos Acrósticos, de Pedro Lavirod
CURIOSIDADES:
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PRÊMIO MALBA TAHAN
Em 1995, Darci Ribeiro lançou O Povo Brasileiro, que encerra a coleção de seus Estudos de Antropologia da Civilização, além de uma compilação de seus discursos e ensaios intitulada, Noções de Coisas, com ilustrações de Ziraldo, que recebeu, em 1996, o Prêmio Malba Tahan de Melhor Livro Informativo da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.
TEXTOS DE MALBA TAHAN PARA REFREXÃO
NUNCA TE ARREPENDERÁS:
De teres refreado a língua, quando pretendias dizer o que não convinha ou o que não era verdade.
De teres formado o melhor conceito sobre o proceder de outrem.
De teres perdoado aos que te fizeram mal.
De teres cumprido pontualmente tuas promessas bem pensadas.
De teres suportado com paciência as faltas alheias.
De teres dirigido palavras bondosas aos desventurados e tristes.
De teres simpatizado com os oprimidos.
De teres recusado ouvir anedotas inconvenientes e ler escritos da mesma natureza.
De teres escolhido, com prazer, pensamentos, conversas e leituras edificantes.
De teres pensado antes de falar.
De teres honrado a teus pais e superiores
De teres sido cortês e honesto em tudo e com todos.
ALGUNS NÚMEROS...
Os Quatro Quatros
44 - 44 = 0; 44/44 = 1; 4/4 + 4/4 = 2; (4+4+4)/4 = 3;
4 + (4 - 4) / 4 = 4; (4 x 4 + 4) / 4 = 5...
Nota: extraído do livro O Homem que Calculava. Edição Integral. São Paulo: Círculo do Livro, 1983, páginas 52, 122 e 123.
CONCLUSÃO:
A idéia de ver um escritor e gênio matemático, dedicado à causas hansenianas que encantou e ensinou gerações, desde 1923, ser excluído de diversos compêndios de literatura brasileira, me deixa perplexo e me leva a algumas reflexões e indagações:
Teria contraído a ira de uma sociedade preconceituosa e intelectualmente despreparada para raciocínios lógicos?
Tivesse Malba Tahan nascido na Europa ou Estados Unidos, um dia deixaria de ser citado em seus compêndios de literatura?
Haveria alguma barreira religiosa em torno de sua admiração pela cultura árabe, ou por Allah? Ou então quem sabe seu bizarro hobby de colecionar sapos?
Qual o critério da Academia Brasileira de Letras para a admissão de novos membros? Por acaso, não seria um dos primeiros pontos analisados a posição política e social do candidato?... seus sapos eram menos perigosos que os marimbondos...
O que será de nós, então, aspirantes a escritores, se não dermos vez aos que não tiveram a oportunidade do reconhecimento?
Diante desse sombrio e desconhecido mundo que nos espera, só me resta um consolo e uma pontinha de esperança: Sempre existirá aqueles a quem nossa mensagem atingirá e nos fará lembrados, pois um escritor jamais morre... Simplesmente é um imortal!
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COELHO, Nelly Novaes. Texto recebido publicado em jornal, cujo nome e data não foi fornecido.
MENEZES, Raimundo (da Academia Brasileira de Letras). Dicionário Literário Brasileiro. 2ª edição. 1978.
SAID, Chafic Elia. Árabe Coloquial sem mestre. 1ª edição. Bauru: Altgraf, 1996.
TAHAN, Malba. Céu de Allah. Rio de Janeiro. 11ª edição. Conquista: 1959.
TAHAN, Malba. O Homem que Calculava. São Paulo: Círculo do Livro, 1983.
TAHAN, Malba. Lendas do Bom Rabi. São Paulo: Editora Saraiva, 1951.
INTERNET: (alguns dos 1.320 sites..., apenas no yahoo)
http://www.necad.uece.br/mt/vida.htm#Indice
http://www.fffhistoria.cjb.net/
http://www.milenio.com.br/flesch/problemas/problemas.htm
http://athena.mat.ufrgs.br/~portosil/malba.html
http://www.prodam.sp.gov.br/bib/lobato/bij/bib_mt.htm
http://www.brasil.terravista.pt/magoito/1866/Historia/malba.htm
http://www.geocities.com/g10ap/matematicos/mat27.htm
http://www.deborahvaried.hpg.ig.com.br/35camelos.htm
http://www.jt.estadao.com.br/noticias/98/12/26/sa10.htm
APÊNDICE: AS OBRAS DE MALBA TAHAN
A Arte de Ler e de Contar Histórias (contos),
A Arte de Um Ser um Perfeito Mau Professor (didático),
A Caixa do Futuro (novelas),
A Equação da Cruz (didático), 1959
A Estrela dos Reis Magos, 1965
A Girafa Castigada,
A Lógica da Matemática (didático),
A Lua na Poesia Brasileira, 1955
A Numerologia,
A Pequena Luz Azul,
A Sombra do Arco-Íris (romance),
Ainda Não, Doutor!,
Alegria de Ler (antologias), 1963
Al-Kharismi (didático), 1946
Alma do Oriente (contos orientais), 1936
Amigos Maravilhosos (novela infantil), 1935
Amor Beduíno (contos orientais), 1930
Antologia do Bom Professor (didático),
As Grandes Fantasias da Matemática (didático),1945
Aventuras do Rei Baribê (romance),
Caixa do Futuro,
Céu de Allah (lendas orientais)
Contos de Malba Tahan (contos orientais), 1929
Diabruras da Matemática (didático),1943
Dicionário Curioso e Recreativo de Matemática, 1940
Didática da Matemática (didático), 1957
Estudo Elementar das Curvas (didático), 1935
Folclore da Matemática (didático),1954
Funções Moduladas (didático), 1943
Geometria Analítica (No Espaço de Três Dimensões), 1943
História da Onça que Queria Acordar Cedo,
Histórias e Fantasias da Matemática (didático), 1939
Lendas do Bom Rabi (lendas orientais), 1951
Lendas do Céu e da Terra (lendas cristãs), 1935
Lendas do Deserto (lendas orientais), 1933
Lendas do Oásis (lendas orientais),
Lendas do Povo de Deus (contos e parábolas),
Maktub (contos e lendas orientais), 1935
Matemática Divertida e Curiosa (didático), 1939
Matemática Divertida e Delirante (didático),
Matemática Divertida e Diferente (didático), 1943
Matemática Divertida e Fabulosa (didático), 1943